Mostrando postagens com marcador HISTÓRIA DA ARTE. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador HISTÓRIA DA ARTE. Mostrar todas as postagens
6 de ago. de 2011
4 de ago. de 2011
HISTÓRIA DA ARTE PARAIBANA - DÉCADA DE 1980
| Chico Pereira, Um dia de sol. Feirinha de Tambaú, João Pessoa, 1979 |
No começo da década, as atividades do NAC ganhavam corpo e espaço na mídia nacional. O que se justifica com a presença de artistas seminais da arte contemporânea brasileira – Tunga, Marcelo Nietsche, Cildo Meireles, Anna Maria Maiolino, Paulo Roberto Leal, Paulo Klein, Antonio Dias, entre outros –, para “experimentações” até mesmo inéditas em outras capitais nordestinas. No NAC, também aconteceram ações de artistas locais, como Um dia de sol, intervenção urbana de Chico Pereira, e, Cenografia e adereços da donzela Joana, de Breno Mattos. Em 1984, com o fim do programa desenvolvido pelos criadores do NAC, o seu retorno, dois anos depois, em nada correspondia ao vanguardismo inicial proposto.
| Abertura da I Arte atual paraibana. Funesc, João Pessoa, 1988 |
Apesar do marasmo que passou a existir na cidade, entretanto, duas notícias vislumbravam novo tempo: a criação de uma associação de artistas plásticos e a construção, no Governo Burity, do Espaço Cultural José Lins do Rêgo, projeto de Sérgio Bernardes e inaugurado em 1983, no bairro de Tambauzinho. Ali se instalava a Fundação Espaço Cultural da Paraíba- Funesc, cujo setor de artes plásticas – sob a orientação dos artistas Hermano José, Régis Cavalcanti e, depois, Arthur Cantalice – foi um dos primeiros a desenvolver suas atividades com a oferta de cursos livres e a realização de mostras de novos artistas. Archidy Picado, Unhandeijara Lisboa, Dyógenes Chaves, Fred Svendsen, Chico Ferreira, Chico Dantas e Alcides Ferreira, eram alguns dos professores. Logo após abrigar a gigantesca mostra de arte neo-expressionista alemã [Momentaufnen, 1987], seguida de workshops entre brasileiros e alemães, a Funesc organizou, por solicitação da classe artística e empenho direto do governador Tarcísio Burity, duas grandes mostras – Arte atual paraibana, I e II – em que se apresentava um panorama da arte local produzida naquele momento. Em 1987 a UFPB cria a sua Pinacoteca, em um espaço provisório na Biblioteca Central, “com obras de artistas que atuaram como professores do Departamento Cultural nos anos sessenta e que tiveram importante papel na formação de uma geração que vai emergir neste mesmo período e nas gerações subseqüentes”, como relata a professora Rosires Andrade, ex-diretora da Pinacoteca.
| Rodolfo Athayde, Alice Vinagre, Dieter Ruckhaberle e Maria Helena Magalhães. Workshop Brasil-Alemanha, 1990 |
Fazendo uma análise sobre a tradição da pintura na Pinacoteca da UFPB, afirma Rosires: “A produção artística, nas primeiras décadas, esteve mais ligada à figuração mais próxima da Escola Pernambucana, a um repertório regional no sentido do apego às tradições e ao imaginário popular nordestino, presentes de maneira exemplar, na obra de João Câmara, Roberto Lúcio, Miguel dos Santos e Flávio Tavares. Por outro lado, nota-se a reação de um grupo de artistas liderados por Raul Córdula, em que a figuração cede lugar a uma expressão em que os elementos visuais, cores e formas são o tema e o assunto.” (...)
| Governador Tarcísio Burity |
“A corrente figurativa tem continuidade nas décadas seguintes através de uma diversidade de propostas embasadas no expressionismo, representadas pela produção dos artistas: Alice Vinagre, apresentando uma visão ontológica do homem mergulhado nas contradições do mundo atual; Chico Dantas, revelando uma obsessão pela anatomia humana apresentando de maneira velada a nebulosidade do ser contemporâneo; Fred Svendsen, compondo figuras bestiais de um mundo taciturno; José Crisólogo, mostrando o imaginário do povo sertanejo na sua força para vencer as adversidades; e Sérgio Lucena, reiterando uma face mascarada e espectral do imaginário, povoado de figuras sinistras.”
| Alice Vinagre, S/T, acrílica sobre tela, 120x90cm, 1989. Acervo UFPB |
O professor Gabriel Bechara, na apresentação do catálogo da mostra I Arte atual paraibana (Funesc, 1988), também analisa o embate entre figuração-abstração na Paraíba: “Se a figura era ainda a dominante na pintura no Nordeste, mesmo que longe de padrões acadêmicos e rica em descobertas, havia, porém, a resistência de alguns que se opunham a ela na Paraíba, como Raul Córdula e Chico Pereira. A estes últimos juntaram-se depois Rodolfo Athayde e Cláudio Santa Cruz que formam hoje um grupo mais comprometido com a arte não-figurativa. Roberto Lúcio, artista paraibano radicado no Recife, aos poucos abandona a figuração, detendo-se numa pesquisa sutil de formas e gradações cromáticas que ainda se reportam à paisagem. O final dos anos setenta viu surgir também uma nova pintura representativa, menos comprometida com o regional e seu imaginário e mais voltada para o grotesco, malgrado a diversidade dos artistas. Chico Dantas, Chico Ferreira, Fred Svendsen e Lacet são exemplos deste novo expressionismo ao qual se juntariam depois Alice Vinagre, e mais recentemente, Wagner, Roró de Sá e Sérgio Lucena.” (BECHARA FILHO, 1988)
Alberto Lacet, Um outro Políbio, óleo sobre tela, 90x70cm, 1987. Acervo Funesc |
Dentre as galerias de arte surgidas neste período, em João Pessoa, destaca-se a Galeria Gamela, de Roseli e Altemir Garcia, no centro da cidade [rua Almirante Barroso, nº 144], que desde 1980 tem se consolidado no comércio de obras de artistas já consagrados e/ou de novos talentos locais. Em maio de 1985 é inaugurada a Galeria Archidy Picado, nas dependências da Funesc, em homenagem a este artista falecido no início do ano. Como galeria oficial, tem objetivos de apoiar os novos artistas e as tendências menos comerciais. No começo da década a arquiteta, Madalena Zaccara, criou a MZ Artearquitetura (manteve-se até 1982), onde realizou mostras dos artistas Rubens Gerchman e Claudio Tozzi (em contatos estabelecidos através do NAC), Maurício Arraes, Raul Córdula, Flávio Tavares, José Lucena e sua filha Letícia, Tota e seu filho Temílson Régis. Outros espaços ainda funcionavam na cidade: o Hall da Biblioteca Central da UFPB, dedicada a alunos e professores do curso de Educação Artística e, no Theatro Santa Roza, a Galeria José Américo de Almeida (criada anteriormente com o nome de Galeria Tomás Santa Rosa), que, sob a direção do artista Hermano José, realizou o Salão A presença do mar nas artes plásticas; e, a Galeria Visual, do artista campinense Antonio Rocha.
1 de ago. de 2011
HISTÓRIA DA ARTE PARAIBANA - DÉCADA DE 1970
| Laís Aderne, uma das principais articuladoras para a criação do curso de Educação Artística da UFPB |
Em 1976 a Universidade Federal da Paraíba, tendo à frente o Reitor Lynaldo Cavalcanti, volta a desempenhar papel importante para o desenvolvimento das artes plásticas no Estado, como havia sido na década anterior. Ainda funcionavam os cursos livres de arte, sob a supervisão da Coordenação de Extensão Cultural, setor que substituíra o antigo Departamento Cultural, instalada num edifício na Praça Rio Branco, centro da capital, e onde lecionavam os artistas Gilvan Samico, Montez Magno, João Câmara Filho, Arthur Cantalice, Roberto Lúcio, Alfonso Bernal, Euclides Sá, entre outros.
E em 1977, finalmente, era criado o curso de Educação Artística na UFPB, e Chico Pereira explica: “A nova dinâmica imposta por Lynaldo Cavalcanti nas áreas da ciência e tecnologia passou a exigir também, no campo da cultura, a mesma postura. Foi criado o Departamento de Artes e de Comunicação, para a formação de arte-educadores, jornalistas e relações públicas.” (...)
“No mesmo período, foram criados os atuais núcleos artísticos e de pesquisas culturais, entre eles o Núcleo de Arte Contemporânea-NAC, este com o objetivo de estabelecer uma ponte entre a Paraíba e centros nacionais e internacionais, bem como promover internamente uma atualização crítica do ponto de vista teórico e prático com as outras disciplinas universitárias. Para a criação deste Núcleo, a UFPB convidou o artista Antonio Dias e o crítico Paulo Sérgio Duarte, que se responsabilizaram pelo projeto do NAC, o qual teve também a participação do artista plástico Raul Córdula e do sociólogo Silvino Espínola. O Núcleo de Arte Contemporânea foi marco divisor no panorama da arte local. Apesar do processo de modernidade nas artes, acontecido antes na Paraíba, o NAC produziu no cenário da arte brasileira um questionamento importante, que foi o de romper a ditadura da hegemonia do eixo Rio-São Paulo.
| Encontro de professores da UFPB para a discussão do projeto do NAC. Campina Grande, 1977 |
Até então, era impossível acontecer movimento significativo de arte contemporânea fora dessa engrenagem. Logo depois da instalação do NAC, foi criado o Departamento de Artes do Campus II, em Campina Grande, com a finalidade de expandir o ensino das artes. Apesar de ser um departamento, funciona até hoje como extensão artística. Terminado o Reitorado Lynaldo Cavalcanti, as administrações posteriores não emprestaram ao NAC a mesma atenção quando da fase da sua criação, até porque os recursos também se tomaram escassos e as sucessivas mudanças ocorridas na direção desse Núcleo concorreram para o seu declínio.”(SILVA JÚNIOR, 1979)
Assim também confirma Raul Córdula, um dos coordenadores do NAC ao lado de Chico Pereira, “como sua equipe inicial, concebeu, nasceu, cresceu e morreu entre 1978 e 1984, quando foi fechado para reformas e, ao reabrir dois anos depois, suas ideias renovadoras e contemporâneas do futuro estavam desgastadas pela falta de apoio que sucedeu. Ele existe ainda com o mesmo nome, mas não passa de uma galeria de arte convencional que, embora tenha apresentado ao público algumas exposições, é apenas espaço conveniente para as relações públicas da UFPB.” (CÓRDULA, 2004)
| Antonio Dias. Campina Grande, 1977 |
Na esteira do boom econômico dos anos 70, surge uma classe média interessada num gosto bem “decorativo” e proliferam galerias pelo país. Na Paraíba, no entanto, algumas poucas ações de mercado começam a investir mais no artista local, na ideia de formar colecionadores e exibir os artistas emergentes. Daí surge a Galeria Batik, misto de galeria e escritório das arquitetas Conceição Serra e Madalena Zaccara, que existiu até 1979.
30 de jul. de 2011
HISTÓRIA DA ARTE PARAIBANA - DÉCADA DE 1960
| Vanildo Brito, Raul Córdula, Archidy Picado e Arthur Cantalice. Exposição de Raul Córdula. João Pessoa,1968 |
Esta década se caracterizou por uma maior dinamização das artes plásticas, através da ação dos novos artistas que passaram a ocupar um espaço do Theatro Santa Roza – um ateliê coletivo na mesma ideia do CAP. Foi uma época de inúmeras exposições, realizadas onde fosse possível, para apresentar as recentes produções da arte moderna. Nesse momento, a Biblioteca Pública [rua General Osório] era o ponto de encontro das artes. A UFPB, em 1962, cria o seu Departamento de Artes, a partir da colaboração dos artistas do grupo Tomás Santa Rosa. O setor de artes plásticas, com Archidy Picado na organização, passou a funcionar no Casarão de Azulejos, em frente à Praça Dom Adauto, no centro da cidade. E, em 1963, abriu inscrições para seus cursos de artes plásticas, contabilizando mais de 300 interessados. Destes cursos, surgiram artistas que se destacariam no panorama local, como Flávio Tavares, Régis Cavalcanti e Celene Sitônio.
| Antonio Dias, Francisco Duarte, Mário Pedrosa e Rubens Gerchman. Inauguração da Galeria Faxeiro, Campina Grande, 1967 |
Os professores, artistas ainda sem o devido preparo, necessitavam de aprimoramento. Aí entra em cena Simeão Leal, na época Diretor do Serviço de Documentação do MEC, que enviou à Paraíba – através do Governo Pedro Gondim, e sob a supervisão de Virgínius da Gama e Melo – o pintor abstracionista italiano, Domenico Lazzarini, para orientar os artistas locais nas antigas técnicas da pintura e sua preservação, além de ter criado, em 1963, a primeira galeria de arte "contemporânea" na cidade.
| Museu de Arte Assis Chateaubriand |
Em 1966, já tendo consolidado a implantação do Museu de Arte de São Paulo, o empresário e jornalista paraibano Assis Chateaubriand, criador e patrocinador da Campanha Nacional de Museus Regionais, decidiu instalar um museu de arte em Campina Grande. Criado inicialmente como Museu Regional de Arte Pedro Américo, foi inaugurado em 20 de outubro de 1967, numa festa memorável, com a presença de autoridades, artistas e críticos como Mário Pedrosa, Mário Barata, Antonio Dias, Solange Escosteguy, Rubens Gerchman, Anna Maria Maiolino, Yanis Gaitis, Jean Boghici, além de artistas paraibanos e de estados vizinhos.
A "euforia" na Borborema é também o momento ideal para o surgimento do grupo Equipe 3 [Eládio Barbosa, Chico Pereira e Anacleto Elói], que agitou a cena campinense com happenings e ações de vanguarda, inspirados na Nova Objetividade e incursões no tropicalismo e poesia processo. Os artistas do Equipe 3, isoladamente, participam da Bienal de São Paulo [Eládio Barbosa] e Bienal Nacional da Bahia, além da "expedição cultural" que empreenderam por várias cidades do país, em 1968.
28 de jul. de 2011
HISTÓRIA DA ARTE PARAÍBANA - ANOS 1940 à 1950
José Lyra - Barra do Gramame
O Centro de Artes Plásticas da Paraíba, instalado em 1947, em um prédio na rua Barão do Triunfo, no centro de João Pessoa, tinha como proposta o ensino livre das artes que teria mais tarde sua continuação com o Grupo Tomás Santa Rosa e o Departamento Cultural da UFPB, já nos anos 1960. "O CAP, entidade sem fins lucrativos, recebia algum apoio financeiro do Governo para sua manutenção, graças a um projeto do então deputado e colecionador, Dr. João Lélis. Foram esses artistas – José Lyra, Olívio Pinto, Pinto Serrano e Hermano José – responsáveis pela modernização tardia das artes plásticas no Estado, com as primeiras tentativas de ruptura com o academismo sem, contudo, deixar alguns deles a tradição da pintura da cena urbana e marítima, suas contribuições mais importantes à história da arte na Paraíba." (SILVA JÚNIOR, 1977)
José Lyra - Retrato de Tinet - 1947 - Acervo UFPBNo livro Os anos 60 – revisão das artes plásticas da Paraíba, Raul Córdula escreve: "Antes da intensificação do movimento de artes plásticas que caracterizou os anos 60 houve em João Pessoa um aglomerado de artistas de cavalete que, reunidos no Centro de Artes Plásticas da Paraíba, assumiu a pintura de paisagens e retratos da cidade daquela época. A esses artistas, envolvidos no bucolismo da Felipéia, leitores de Rainer Maria Rilke e Marcel Proust, decupadores dos tons de verde vegetal e marinho, seguidores dos pintores franceses, de Monet a Matisse, os jovens artistas dos anos 60 devem o sereno exemplo da humildade. Foi no Centro de Artes Plásticas que Ivan Freitas, Archidy Picado e Breno Mattos iniciaram-se através da orientação de José Lyra, Olívio Pinto, Pinto Serrano e Hermano José. Ivan Freitas deixou a Paraíba em 1957, mas continuou aqui o seu gesto criador como lenda que servia de apoio às novas atitudes dos então 'enumerados' artistas jovens advindos da Geração 59. Archidy Picado, desde cedo rompeu com a norma vigente e, entre viagens ao Rio de Janeiro, freqüentou o ateliê de Ivan Serpa no MAM [Museu de Arte Moderna] onde conheceu artistas atuantes e novas realidades. De volta a João Pessoa, Archidy instalou em sua casa, no bairro de Jaguaribe, seu ateliê que foi freqüentado por Antônio Cândido, Marconi Beniz e por mim." (CÓRDULA, SILVA JÚNIOR, 1979)
26 de jul. de 2011
HISTÓRIA DA ARTE PARAIBANA - ANOS 1910 à 1930
Aurélio de Figueiredo
Há registros de que, em 1913, o pintor paraibano Aurélio de Figueiredo, irmão de Pedro Américo, tenha chegado à capital com algumas pinturas para dar início à criação do nosso primeiro museu ou "galeria de retratos", por sugestão e convite do então presidente Castro Pinto. Anos depois, veio o pintor Antônio Parreiras (Niterói-RJ, 1860-1937), que tinha uma carta de recomendação de Epitácio Pessoa ao então presidente da Paraíba, Camilo de Holanda, para execução de uma pintura sobre a Revolução de 1817, obra esta pertencente ao acervo do Palácio da Redenção (João Pessoa). Segundo o professor Gabriel Bechara, citado pelo artista, Chico Pereira (História da Paraíba em fascículos, 1997), "a partir daí algumas exposições começaram a acontecer na Capital, contribuindo para que se formasse a nossa primeira geração de artistas, composta por Olívio Pinto, Frederico Falcão, João Pinto Serrano, Amelinha Theorga e Voltaire D'Ávila. Em 1924, estes artistas realizaram uma grande coletiva com cerca de 118 obras. A mostra, de forte tendência regionalista, foi denominada Salon Felippéa em resposta à exposição do artista pernambucano Joaquim do Rego Monteiro, irmão do também pintor Vicente do Rego Monteiro, que acabara de trazer à Paraíba os primeiros exemplos de pintura moderna." (SILVA JÚNIOR, 1997)
E, de fato, o que predomina neste Salon é a paisagem ao invés de algum sopro modernista que já surgia na vizinha Recife. O mar e seus coqueirais, além das cenas urbanas, refletem a opção por temas bucólicos e atestam o isolamento vivido pelas artes plásticas da província, o que vai perdurar até a década de 1950. Realmente, "a Paraíba não participou do ideário modernista a não ser na literatura com a presença de José Américo de Almeida e José Lins do Rego." (ZACCARA, 2009)
Pedro Américo - Cristo morto 1901 - Acervo Museu Regional de Areia.
Ao mesmo tempo, o retrato também torna-se algo comum entre as famílias mais abastadas neste início de século. A fotografia é amplamente utilizada, em especial na revista Era Nova (anos 1920), que tratava da vida social às amenidades político-culturais da elite paraibana. E vai "fornecer as imagens necessárias dos modelos, ao mesmo tempo que passam a ser colorizadas e tratadas como pintura." (SILVA JÚNIOR, 1989)
Tanto que, nesta época, os artistas Frederico Falcão, Pedro Tavares, Olívio Pinto, Pinto Serrano e, anos mais tarde, José Lyra, tiveram destacada atuação como fotógrafos, mesmo caso do desenhista suíço Eduardo Stuckert, estabelecido na cidade desde 1900. Outro pioneiro, o fotógrafo Walfredo Rodriguez, profundo conhecedor da nossa cultura, publicou livros sobre a cidade, realizou exposições e documentou os acontecimentos sociais, com destaque para o filme Sob o céu nordestino (1924-28), um verdadeiro marco do cinema paraibano.
Outra categoria que teve grande aceitação na Parahyba, como em outros estados, foi a caricatura, que surgia em mostras de grande popularidade e eram publicadas em jornais e revistas da época. Rubem Diniz e Hernani Sá, entre outros artistas nordestinos que aqui atuaram, eram os paraibanos mais reconhecidos. "A importância social desse movimento artístico que tinha à frente jornalistas e trabalhadores da imprensa, ainda necessita de um estudo à parte para avaliar a sua significação, nesse período de declínio da arte acadêmica e início da consolidação do modernismo no Brasil". (BECHARA, 2001)
24 de jul. de 2011
HISTÓRIA DA ARTE PARAIBANA - SÉCULO XIX - OS PIONEIROS
Em 1852 chegou à cidade de Areia uma missão científica chefiada pelo naturalista francês Louis-Jacques Brunet, e incubida pelo então presidente [governador] da Paraíba, Sá e Albuquerque, de "observar a posição geográfica dos principais pontos da Província". Brunet e o desenhista da expedição, o alemão Bindseil, deram com o menino Pedro Américo, que tinha entre 9 e 10 anos de idade. Bindseil, em carta ao presidente, reconhece eufórico: "Descobri um rapaz, Pedro Américo de Figueiredo e Melo, filho de pais sem fortuna, que possui um talento extraordinário para a pintura. Desde que sei de minha arte, tanto quanto basta para apreciar um talento nascente, não me lembro de ter encontrado outro igual".
<--Pedro Américo, Autorretrato, óleo sobre tela, 120x86cm, 1893. Acervo Pinacoteca de São Paulo.
E, durante vinte meses, Pedro Américo acompanhou a expedição por toda a Paraíba e parte de Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí. Pouco tempo depois, o prodígio foi estudar na Academia Imperial de Belas Artes, no Rio de Janeiro, escola criada quando da chegada da Missão Artística Francesa, e da qual saíram os maiores nomes da pintura e da escultura do país nos séculos XIX e XX. O paraibano Pedro Américo era tratado como a glória da Academia, seu melhor aluno, a esperança da arte brasileira. Autor de obras emblemáticas como O brado do Ipiranga (1886-87) e Batalha do Avaí (1872-77), é considerado, ao lado de Zeferino da Costa e de Vítor Meireles, um dos três mestres brasileiros do período Neoclássico. (MARTINS, 1994).
22 de jul. de 2011
HISTÓRIA DA ARTE PARAIBANA - SÉCULO XVII - ARQUITETURA BARROCA
Igreja de São Francisco
A partir do século XVII é inegável a contribuição das ordens religiosas através da construção de seus templos, onde se destaca uma arquitetura rica de detalhes nas pinturas dos forros, nos painéis de azulejos e nas cantarias, em que vai se delineando a introdução de uma obra plástica na vida desta cidade de pouco mais de mil habitantes. Segundo o professor Gabriel Bechara, "se até hoje os estudos históricos sobre a arte paraibana não puderam caracterizar uma escola artística local a exemplo de Pernambuco, Bahia, Minas e Rio de Janeiro durante a Colônia, é possível, entretanto, perceber no legado em pedra dos entalhadores, uma singularidade que diferencia a produção da Paraíba desde o século XVII no âmbito regional. Porém nem mesmo esta tradição de escultores em pedra calcária que vigorou até o final do século XVIII, tampouco os trabalhos deixados por artistas de outras regiões como os do bahiano José Joaquim da Rocha, autor do teto do convento franciscano, conseguiram manter viva durante o século XIX, em meio à crise econômica permanente, uma produção artística à altura do passado." (BECHARA, 1990)
E, como exemplo da arquitetura religiosa em vigor, deve-se citar a obra barroca edificada pelos franciscanos na cidade. Realmente, não existe no Nordeste brasileiro uma construção artística de puro barroco como o conjunto Igreja de São Francisco e Convento de Santo Antônio, localizado no Largo de São Francisco, centro de João Pessoa. "A Igreja mais linda do Brasil", como afirmou Mário de Andrade. Não é conhecido o nome do operário-mestre que o teria dirigido. O seu arquiteto deveria ser português, em função da origem da obra.
Painel de azulejo, parede lateral do adro ->
"É um monumento simples e adequado ao nosso clima tropical. Sua construção foi iniciada em 1589. Os azulejos ainda se conservam intactos na parte interna e ostentam passagens da História Sagrada. Na composição arquitetônica da igreja há muita referência à cor local. No pórtico principal, parte interna, nos enfeites em pedra, ao lado e em cima, o cajú e outras frutas brasileiras surgem como um motivo de pura arte popular. Os altares da igreja são ornados de trabalhos de fina talha e revestidos alguns deles de uma camada de folhas de ouro. Tudo obedece a um estilo barroco-romano. É obra de artista desconhecido, significando, nos motivos, a glorificação de Nossa Senhora e a apoteose de São Francisco no Céu. O rodapé de azulejos portugueses representa a história de São José do Egito. Obra de talha dourada, o púlpito destaca-se no ambiente pela sua beleza, o mesmo acontecendo com as ombreiras das portas principais da igreja, que dão para o vestíbulo." (BURITY, 1999).
Leão de Fô, de nítida inspiração oriental, no paredão do adro
18 de jul. de 2011
HISTÓRIA DA ARTE PARAIBANA - SÉCULO XVII - A PRIMEIRA PAISAGEM
Frans Post, Paisagem brasileira com casa-grande e plantação de cana-de-açucar, 1652.
Foi o pintor holandês Frans Post, paisagista do governo de Maurício de Nassau, encarregado de documentar a topografia, a arquitetura militar e civil, cenas de batalhas navais e terrestres, que primeiro reproduziu uma Paraíba que surgia em cal, com suas torres e altares em pedra, os armazéns e a alfândega, o comércio de mercadorias no Porto do Capim. É essa a cena paraibana, a terceira Capitania em importância, antes da invasão holandesa, que ficará registrada nas obras de Post, até mesmo naquelas que ele produz quando volta à Europa.
16 de jul. de 2011
HISTÓRIA DA ARTE PARAIBANA - PRÉ-HISTÓRIA - Itacoatiara do Ingá
É no período pré-histórico que temos os mais antigos registros da interferência do homem na paisagem da Paraíba, com pinturas e inscrições rupestres encontrados em vários sítios. Na Pedra do Ingá (distante 80 km de João Pessoa), documento lítico ainda não decifrado, podem ser observadas, esculpidas na rocha, estranhas figuras assemelhadas a astros, animais, objetos desconhecidos e até a algo parecido com um foguete. Elias Herckman, governador da Paraíba durante o período holandês (1638-1644), já se referia a estas "garatujas complicadas" e atribuídas, por alguns estudiosos, até aos fenícios. Na verdade, a Pedra do Ingá continua ainda um mistério para a arqueologia e a antropologia.
O historiador paraibano Ademar Vidal, em seu Guia da Paraíba (Rio de Janeiro, 1943), diz: "No Estado existem inscrições rupestres espalhadas por vários lugares. Assim é que o itinerante poderá encontrá-las na Serra da Caxêxa, em Bananeiras e Serra da Aba, em Patos, enchendo as paredes dos rochedos e dos caldeirões que nas mesmas se encontram, muita inscrição a tinta encarnada e em baixo relevo: riscos inclinados e verticais, cruzes e círculos, garatujas complicadas, desenhos esses comuns a todas as outras inscrições como as de Pedra Lavrada, em Bananeiras, onde se vêem 'ferros de marcar rezes'; na serra do Algodão, em Areia, numa gruta com restos humanos sepultados sob camadas de terra finíssima, enquanto nas suas paredes se notam arabescos traçados em cor vermelha; na Serra do Corredor, em Cabaceiras; no Pico do Jabre, em Teixeira, com uns desenhos de mãos e pés de homem; no Gengibre ou Belém de Guarabira, em Serrinha, Poço do Boi, Pasmado e no Ingá".
14 de jul. de 2011
SINTESE DAS ARTES VISUAIS NA PARAÍBA
Este resumo que segue pretende apenas melhor situar alguns dos acontecimentos sócio-culturais que poderiam, grosso modo, oferecer uma visão histórica do processo de evolução das artes visuais no Estado da Paraíba, desde que os colonizadores europeus aqui chegaram alterando sobremaneira a vida dos antigos habitantes da nossa região. Descendentes de troncos raciais migratórios que, segundo especialistas, remontam a mais de 38.000 anos, estes povos vieram por terra (do norte, Via Polar) ou por mar (do Pacífico, Via Transoceânica). Optamos por apresentar de forma linear e cronológica aqueles principais eventos como um roteiro, obtidos a partir das fontes disponíveis, embora ainda em pequena monta, que servirão, ao menos, de referência para estudos mais aprofundados.
Ilustração de 1564, publicada em Brasilien-Bibliothek der Robert Bosch, Stuttgart/Alemanha, 1983
Assinar:
Postagens (Atom)






