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| Sandoval Fagundes, II Paixão de Cristo em Art-Door. João Pessoa, 1990 |
Este período é marcado pelos intercâmbios internacionais entre artistas da Paraíba e de países como a Alemanha, França e Suíça. Esse fenômeno difere das décadas passadas quando os artistas locais migravam para o eixo Rio-São Paulo. A criação do Centro de Artes Visuais Tambiá-CAVT (1994), pela família Almeida (Antonio Augusto, Marlene e José Rufino) e das associações Le Hors-Là e Rede para o movimento de artistas visuais (Raul Córdula, Chico Pereira e Dyógenes Chaves), culminaram com viagens de estudo à Europa dos artistas Rodolfo Athayde, Rosilda Sá, Otávio Maia, Luiz Barroso, Dyógenes Chaves, Chico Pereira, Alice Vinagre, Sérgio Lucena, Fabiano Gonper, Murilo Campelo e Marcos Veloso. Em 1998 a Rede recepcionou um grupo de 12 artistas franco-suíços para uma estadia de dois meses em João Pessoa (projeto Laboratoire), através da Fundação Pro Helvetia e com apoio oficial local, na perspectiva de trocas de experiência. Apesar do Sudeste não ser mais a única alternativa para os jovens talentos da terra, ainda estava claro que havia necessidade de reconhecimento além fronteiras.
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| Catálogo da mostra Xilogravura: do cordel à galeria. Funesc, João Pessoa, 1993 |
Além do surgimento de várias galerias na cidade – Athaendy (Giovanna Germoglio e Pepita], Escritório de Arte da Paraíba [Suzete Forte], Artenossa [Maristela Mendonça], Transarte [Lu e Júnior], Falcone Arte&Objetos [Fernando Falcone], entre outras – há a consolidação dos salões regionais: o Salão Municipal de Artes Plásticas-SAMAP (da Prefeitura de João Pessoa), e o Salão de Novos Artistas Paraibanos-SNAP (Sesc João Pessoa), que passam a abrigar a novíssima geração de artistas locais.
Ainda no final da década passada, o Departamento Cultural da Prefeitura de João Pessoa, promove a mostra Paixão de Cristo em Art-Door, com obras realizadas por artistas locais representando as 15 estações da Via Sacra, e exibidas em placas de out-door no anel externo da Lagoa do Parque Solon de Lucena. A ideia tinha como referência a Exposição Internacional de Art-Door, ocorrida no início dos anos 80, em Recife, e organizada por Paulo Bruscky e Daniel Santiago. O projeto logo foi abortado na sua 4ª edição em função das polêmicas causadas por algumas obras que suscitavam “provocação” à religiosidade da população de João Pessoa.
Em 1993, durante a gestão da artista Marlene Almeida na coordenação de artes plásticas da Funesc, foi realizada a mostra Xilogravura: do cordel à galeria, sob a curadoria de Leonor Amarante, que, um ano depois levava esta mostra para o MASP, em São Paulo. Sem dúvida, foi a maior mostra com artistas xilográfos já realizada no país e que, além de seminários e debates, ocupou todo o mezanino, praça e auditórios da Funesc. No ano seguinte, por iniciativa do seu presidente, Antônio Alcântara, a Funesc cria o Festival Nacional de Arte-Fenart, com objetivos de promover ações artísticas, de entretenimento e de formação, em todas as áreas da cultura. Apesar do desuso do modelo “festival” (os festivais de arte estavam cada vez mais se especificando em determinadas áreas), o Fenart emplacou pela simples razão de dispor de um espaço gigantesco (talvez o maior do país) totalmente equipado para atender um festival completo. Em todas suas edições, a programação de artes plásticas do Fenart homenageou vários artistas plásticos – Simeão Leal, Jackson Ribeiro, Raul Córdula, José Lyra e Archidy Picado –, realizou cinco mostras bienais de Desenho e de Gravura, além de ter oferecido workshops, dedicados aos artistas iniciantes, ministrados pelos artistas: Maria Bonomi, Raul Córdula, Leda Catunda, Paulo Bruscky, Gil Vicente, José Rufino, Leda Watson, Edgar Vasques, Uiara Bartira, Ester Grinspun, Jean Stern, Carlos dos Reis e Luísa Gonçalves (de Portugal).










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